DA TEOLOGIA SAGRADA
- Natanael Rinan

- 4 de mai.
- 12 min de leitura
EM BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO À CIÊNCIA SAGRADA

INTRODUÇÃO Visto que um dos princípios mais fundamentais da fé cristã é que Deus é Espírito (Jo 4:24) e que, sendo anterior a tudo, criou o mundo (Gn 1:1), seria tolice delegarmos à teologia a tarefa de compreender e entender ao Deus Todo-Poderoso em toda a sua essência e completude, visto que, pela mesma fé em que declaramos ser Ele infinito e longe de nossa compreensão (Jó 11:7; Is 40:18), declaramos que este mesmo Deus, por um ato de sua livre vontade, criou todas as coisas de modo que os tais demonstrassem seus atributos invisíveis por meio das coisas sensíveis e, tendo visto o homem em um lamaçal imundo de pecado, se fez benevolente com graça e misericórdia, manifestando-se de modo ainda mais claro e sobrenatural ao seu povo, com o fim de que o conhecêssemos e obedecêssemos os seus preceitos. A composição daquilo que encontramos na criação, como aquilo que nos foi transmitido por meio da Escritura, compõe esse ato de generosidade divina a qual chamamos revelação¹.
Entretanto, os modos como a revelação divina nos educam tem níveis distintos e que devem corresponder às necessidades de casa membro da Igreja. A revelação se manifesta, de primeiro, em nossa consciência, já sinalizando em nosso coração a existência de uma Lei objetiva que regula nossas ações e manifesta nosso senso moral (Rm 2:15), isto é moldado pela educação dos pais que, diante de Deus, ao batizar seus filhos, prometem cumprir seu dever de admoestar suas crianças na doutrina do Senhor (Ef 6:4). E mesmo os ímpios, embora separados do pacto da graça em Cristo, acabam por transmitir princípios elementares dessa Lei, pois nenhum homem está totalmente desprovido do testemunho moral que Deus preserva em todos por meio de sua graça comum. Assim, ainda que não conduzam seus filhos ao conhecimento salvífico de Deus, Deus mesmo se lhes dá a conhecer na consciência, despertando neles um profundo senso da divindade. Dessa forma, permanecem como homens que, envoltos em trevas, tateiam em busca da presença daquele que lhes é desconhecido (At 17:27).
A revelação, mais adiante, manifesta-se no ensino catequé tico, no qual as crianças espirituais são instruídas nos princípios elementares da fé cristã. Nesse estágio, são-lhes ensinados o Credo, a prática da oração e o Decálogo, agora não apenas como impressões naturais da Lei, mas de modo mais claro, ordenado e definitivo, à luz da revelação especial de Deus. Entre estes, Deus manifesta sua graça ao chamar muitos para o santo ofício pastoral, a fim de que não sejam apenas mestres de sua prole, mas também responsáveis pela guarda das almas das o velhas de Cristo.
Há, contudo, duas tarefas principais confiadas ao pastor: (1) conservar o ensino e a doutrina, transmitindo-os fielmente ao rebanho de Cristo; e (2) discernir, no meio das ovelhas, os lobos devoradores, repreendendo-os com a espada do Espírito e de fendendo o rebanho contra o erro e o pecado. Sempre houve — e de modo ainda mais evidente em nossos dias — uma classe de cristãos que, embora não exerça o ofício pastoral, labuta com zelo e diligência nos estudos teológicos. A estes podemos deno minar intelectuais leigos². Se é possível assinalar uma diferença específica entre estes e os ministros ordenados, ela reside nisto: os leigos, ainda que escrevam, ensinem e debatam matérias teológicas com profundidade e acuidade, não detêm autoridade eclesiástica para decidir ou definir oficialmente tais questões; ao passo que os ministros, investidos do ofício, o fazem de modo formal e público, especialmente no contexto conciliar da Igreja³. A partir disto, devemos considerar a teologia como disciplina que ensina desde o bebê cristão até o ministério pas toral ou intelectual (em suas devidas proporções) a discursarem sobre Deus. Inicialmente, devemos considerar a teologia sobre quatro princípios: (1) quanto ao princípio final, afirmamos que toda a teologia tem por alvo supremo a glória de Deus; dela procede e para ela retorna, não para a exaltação do intelecto humano, mas para a honra do Senhor; (2) quanto ao princípio eficiente, confessamos que Deus mesmo é o autor dessa ciência, o verdadeiro e principal Mestre dos teólogos e sem sua iluminação, todo estudo é vão e toda especulação é estéril; (3) quanto ao princípio formal, entendemos que a teologia versa sobre a doutrina, isto é, sobre a verdade revelada, ordenada e ensinada, não conforme a imaginação dos homens, mas segundo o padrão que Deus estabeleceu e, finalmente; (4) quanto ao princípio material, tratamos da revelação divina em si mesma, pois é nela, e somente nela, que se encontra a matéria própria e legítima da teologia.
Em seguida, veremos brevemente os modos nos quais esta mesma disciplina pode ser verificada: (1) quanto ao princípio final, distinguimos entre a especulativa e prática; (2) quanto ao princípio eficiente, temos a teologia considerada em Deus [arquetípica] e a teologia considerada em nós [ectípica], esta última por sua vez é dupla: infusa e adquirida; (3) quanto ao princípio formal, podemos consignar três aspectos: a doutrina enquanto revelada [teologia bíblica], a doutrina enquanto formulada [teologia histórica] e a doutrina enquanto estabelecida e normatizada [teologia sistemática] e, finalmente; (4) quanto ao princípio material, que considera a revelação divina, podemos dizê-la de dois modos: geral ou natural, que Deus imprime em sua criação, ou específica ou sobrenatural, em que Deus mesmo manifesta sua vontade e desígnio ao seu povo.
Finalmente, falaremos brevemente das disposições e obstáculos que o estudante terá para a melhor desenvoltura da ciência sagrada.
O PRINCÍPIO FINAL DA TEOLOGIA Por causa final, entendemos o princípio segundo o qual se orienta um ato ou disposição. Trata-se, portanto, da finalidade em vista da qual fazemos isto ou aquilo.
O Catecismo Maior de Westminster, assim como o Breve, inicia deliberadamente sua exposição estabelecendo essa finalidade última, ao afirmar que o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. É precisamente nesse ponto que se revelam alguns dos maiores desvarios da teologia popular moderna. No afã de tornar o conhecimento teológico acessível e atraente, ela acaba por oferecer uma formação des provida de direção teleológica, desligada da piedade e da vida devota. Tal método assemelha-se à formação de um jovem tolo em medicina que, embora conheça minuciosamente a anatomia do corpo humano e o seu funcionamento, carece de verdadeiro olhar clínico e, por isso, jamais saberá conduzir adequadamente uma consulta. O grande problema é que, uma vez formado, tendo recebido seu diploma e sendo oficialmente declarado médico em sua colação de grau, ele ainda assim se aventura a medicar e a atender pessoas apenas para manter sua função, apesar de carecer do devido discernimento clínico. De modo análogo, muitos teólogos, munidos de títulos e linguagem técnica, aventuram-se tratar das almas, brincando com aquilo que é sagrado, disseminando erros e loucuras que surgem aqui e ali, com graves consequências espirituais para o povo de Deus. Entretanto, alguns princípios devem ser considerados ao analisarmos esta finalidade sobrenatural ao qual fomos ordenados:
→ Visto que o fim último do homem é a glória de Deus, o verda deiro teólogo submete o seu intelecto à verdade eterna, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
Pois, se possuímos uma finalidade que transcende a nossa própria existência e culmina no Altíssimo, resultando em nossa bem-aventurança perpétua, torna-se vã toda curiosidade que nos afaste desse fim. Do mesmo modo, é vã a atividade daquele que sujeita o seu entendimento a um acúmulo desordenado de informações que não se orientam para a glória de Deus. Por isso, o apóstolo Paulo nos exorta a não nos conformarmos com este século, mas a sermos transformados pela renovação do nosso entendimento (Rm 12.2), note que a raiz de nossa inconformidade não procede de outra fonte, senão do intelecto renovado por Deus, cativo à sua Palavra, sabendo a sua vontade e aprovando as coisas excelentes pela instrução da lei divina (Rm 2:18), aprovando sempre o que é agradável ao Senhor (Ef 5:10-11), não aprendendo a fazer conforme a abominação dos ímpios (Dt 18:9). → Visto que o fim último do homem é a glória de Deus, o verda deiro teólogo sujeita suas disposições internas à verdade divina, não permitindo que o engano mutile, fragmente ou misture-se com a verdade de Deus. Devemos considerar que o pecado não começa no ato físico, mas na disposição interna do coração, pelo qual o homem deseja e se coloca a disposição do pecado, por isso que Paulo, ao exortar a Igreja de Éfeso sobre a santidade, ele diz que não devemos andar como ímpios, “na vaidade de seus próprios pensamentos” (Ef 4:17), pois Cristo não apenas condena o adultério considerado externa e fisicamente, mas a cobiça e lascívia que está em nosso coração (Mt 5:27-28; cf. Jó 31:1), e que se há algo que mova nossas disposições ao pecado, ela deve ser extirpada de sua vida, para que sejamos íntegros não apenas em nosso procedimento, mas também em nosso coração “pois te convém que se perca um dos teus membros, e seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt 5:29), pelo que o apóstolo Paulo diz “e os que são de Cristo crucificam a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24) e o apóstolo Pedro, garantindo que Cristo padeceu por nós de modo eficaz, exorta a igreja dizendo “não vivais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus” (1Pe 4:2). Pedro Lombardo, no prólogo de suas Sentenças, diz “não duvidemos que todo o discurso da eloquência humana sempre esteve sujeito à calúnia e à contradição dos emuladores; porque, sendo discordantes os movimentos das vontades, também o é o sentir dos ânimos: de modo que, embora toda palavra dita seja perfeita pela razão da verdade, todavia, enquanto uma coisa parece ou agrada mais a uns do que a outros, o erro da impiedade se opõe à verdade, que não é compreendida ou que ofende, e a inveja da vontade se manifesta; inveja essa que o Deus deste século opera naqueles filhos da desconfiança que não submetem à vontade à razão, nem dedicam esforço à doutrina, mas se esforçam por ajustar as palavras da sabedoria àquilo que sonharam, seguindo a razão do que agrada, e não do que é verdadeiro”.
Agora, resta-nos saber com mais segurança o que significa o ato de glorificar a Deus. O conceito bíblico de glória (כָּבֹוד / δόξα) está profundamente ligado à ideia de peso, substância e realidade. Glória não é mero brilho sensorial ou espetáculo externo, mas a densidade ontológica do Ser divino. Deus é glorioso porque Ele é absolutamente o que é: infinito em ser, perfeição e bem-aventurança. Quando as Escrituras falam da glória de Deus enchendo o tabernáculo ou o templo (Êx 40:34; 1Rs 8:11), não descrevem uma estética vazia, mas a manifestação sensível da presença real do Deus vivo, cuja santidade impõe temor, reverência e silêncio.
A glória de Deus diz respeito à manifestação externa da excelência intrínseca do Seu Ser, à irradiação de Suas perfeições infinitas no tempo e na história. A Antiga Aliança foi estruturada por meio de tipos, sombras e figuras que prefiguravam a pessoa e a obra do Mediador prometido (cf. Hb 10:1). O culto levítico, o sacerdócio araônico, o tabernáculo e os sacrifícios não possuíam glória em si mesmos de modo final, mas derivado e pedagógico. Eram gloriosos enquanto ordenados por Deus e enquanto apontavam além de si, para a realidade substancial que haveria de vir em Cristo. Assim, a glória da Antiga Aliança era real, porém transitória; verdadeira, porém velada; rica em significado, porém ainda envolta em mistério. É precisamente nesse ponto que o apóstolo Paulo, em 2Co 3:7–9, estabelece uma distinção crucial: se o ministério da morte, gravado em letras sobre pedras, foi acompanhado de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar o rosto de Moisés, quanto mais excedente em glória é o ministério da justiça, que procede do Espírito. Aqui, Paulo não nega a glória da Antiga Aliança, mas a relativiza à luz de sua função provisória e preparatória. A glória mosaica era refletida e passageira; a glória do Evangelho é intrínseca e permanente, pois procede do Cristo ressuscitado, que é “o resplendor da glória e a ex pressão exata do Ser de Deus” (Hb 1:3).
COMO DEUS É GLORIFICADO, EM RELAÇÃO A ELE MESMO. Podemos chamar essa Glória de intrínseca a Deus, refletido na sua criação [glória que procede de Deus, se manifesta a partir dos atos e da atividade divina] e podemos nesse sentido glorificá-lo, quando reconhecemos os seus feitos e sua excelência. Tal glorificação não consiste em conferir glória a Deus como se Ele carecesse dela, mas em confessar, com a mente iluminada e o coração submisso, aquilo que Ele já é em Si mesmo. Deus, enquanto causa primeira, comunica ser, vida e ordem a todas as criaturas (At 17:28; Cl 1:16–17). Nesse sentido, tudo quanto existe, enquanto existe, participa da bondade do Criador e, ontologicamente considerado, manifesta algo de Sua glória. Aqui se evidencia o aspecto atributivo da glória, pelo qual reconhecemos e proclamamos os feitos de Deus na criação como expressão direta de Seus atributos invisíveis (Sl 19:1-6; At 7:2).
COMO DEUS É GLORIFICADO, EM RELAÇÃO A NÓS. Entretanto, Deus é glorificado, aqui fala-se em relação a nós, quando nosso intelecto e as nossas afeições, vontades, afetos e são conduzidos de tal forma pela sua vontade que, em tudo o que fazemos, não fazemos em função de nosso próprio prazer, mas o que é agradável a Deus (Jo 14:23; 1Co 10:31). Sob essa perspectiva, o pecado pode ser corretamente compreen dido como privação moral e espiritual da capacidade de glorificar a Deus por meio de atos que procedem retamente do coração. Não se trata de mera imperfeição externa, mas de uma corrupção interior, pela qual o homem passa a agir a partir de si mesmo, segundo suas próprias concepções, imaginações e desejos desordenados (Gn 6:5; Jr 17:9). Essa privação se manifesta de modo claro no fato de que o homem natural pode até realizar obras externamente conformes à lei, mas não o faz a partir do amor a Deus nem para a Sua glória (Rm 8:7–8; Hb 11:6). Falta lhe o princípio correto, o fim correto e a regra correta. Assim, mesmo aquilo que parece virtude aos olhos humanos é, diante de Deus, manchado pela autonomia do coração e pela busca de um fim que não é o louvor de Sua majestade. Somente pela obra regeneradora do Espírito Santo essa privação é removida. Ao escrever a lei no coração (Jr 31:33), o Espírito restaura no homem o princípio perdido da verdadeira glorificação de Deus, reordenando o intelecto pela verdade, purificando os afetos e sujeitando a vontade ao senhorio de Cristo. Dessa forma, a glória que antes era negada pelo pecado passa a ser, ainda que imperfeitamente nesta vida, refletida em atos que procedem não do eu autônomo, mas de Deus que opera em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a Sua boa vontade (Fp 2:13). Por esta razão, João Calvino abre as Institutas da Religião Cristã estabelecendo aquilo que ele denomina a suma de todo o nosso conhecimento, a saber, que a verdadeira sabedoria consiste quase inteiramente em duas partes inseparáveis: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos (Inst. I,1,1). Essas duas formas de conhecimento não correm em linhas paralelas independentes, mas se implicam mutuamente e se iluminam reciprocamente, pois não se pode contemplar a glória de Deus sem, ao mesmo tempo, ser confrontado com a própria condição de criaturas e pecadores.
→ o conhecimento de Deus: onde contemplamos esta glória que Deus, a partir dEle mesmo reflete na criação, onde seus a tributos invisíveis são percebidos, como também suas bençãos que caem do céu sobre nós, gota a gota, em que somos conduzidos, como pequenos riachos, à fonte.
→ o conhecimento de nós mesmos: que por sermos criaturas, refletimos sobre nossa pequenez e diminuta existência somado ao fato de que somos, internamente, inimigos de Deus, revoltos a sua vontade, contrários aos seus manda mentos, e dispostos a tudo aquilo que o desagrada.
Por estes ângulos do conhecimento, quando investigados e examinados, sob o influxo da graça divina que nos convence infalivelmente do pecado, da justiça e do juízo, o efeito de tal conhecimento consiste naquilo que se denomina piedade⁴.
Entretanto, os efeitos desse conhecimento não devem ser considerados apenas sob o aspecto positivo, como se a piedade consistisse unicamente na adoção de novos comportamentos ou na reforma externa da vida. A Escritura nos ensina que a obra da verdade no coração opera também de forma negativa, mortificando aquilo que é contrário a Deus. Assim, a mesma luz que nos guia nos caminhos da justiça expõe e condena as veredas tortuosas em que outrora andávamos. A teologia verdadeira não apenas nos ensina o que fazer, mas nos ensina do que nos afastar.
O teólogo escocês George Gillespie, em um sermão sobre a reforma litúrgica e, aplicando ao tempo em que viviam (período em que a Assembleia de Westminster estava em andamento) diz que “devemos não somente cessar de fazer o mal e aprender a fazer o bem, mas também envergonhar-nos, confundir-nos e humilhar-nos por nossos antigos caminhos maus. Aqui há uma dupla necessidade que nos constrange a esse dever: abominar-nos e detestar-nos a nós mesmos por todas as nossas abominações, e ficarmos profundamente envergonhados e confundidos diante do nosso Deus. Primeiro, sem isso não acharemos graça nem favor para as nossas próprias almas. Segundo, sem isso fracassaremos na obra da Reforma”. Ele exemplifica dizendo: “Permiti me ainda argumentar a partir do costume humano, como faz o Profeta: “Oferece isso agora ao governador: acaso ele se agradará de ti ou aceitará a tua pessoa?” (Ml 1.8). Teu governador — ou mesmo teu próximo, que é como tu —, depois de uma injúria cometida contra ele, ficaria satisfeito se apenas cessasses de lhe causar novas ofensas? Não exigiria ele o reconhecimento do erro cometido?” Por isso, o conhecimento de Deus gera não apenas obediência, mas arrependimento; não apenas amor à justiça, mas aborrecimento ao pecado. “O temor do SENHOR consiste em odiar o mal” (Pv 8:13; Cf. Sl 97:10). À medida que a vontade divina é revelada ao intelecto, os afetos são reordenados de tal forma que o crente passa a entristecer-se pelos caminhos que antes lhe eram agradáveis (2Co 7:10; Sl 119:128; Am 5:15; Rm 12:9). Aquilo que outrora deleitava o coração passa a causar repulsa santa, não por medo servil, mas por amor à santidade de Deus. ¹ Quanto à revelação manifesta e impressa na criação chamamos de natural ou geral, enquanto a revelação registrada na Escritura, denominados sobrenatural ou específica. ² Entenda-se leigo aqui como aquele que não foi ordenado, separado para o Sagrado Ministério Pastoral.
³ Considerem como pressuposto a fidelidade destes ministros em seu exercício ministerial, pois se considerássemos o ofício em si uma razão per se para se definir alguma coisa em matéria de religião, fé e prática da Igreja, certamente seríamos como os papistas.
⁴ Ainda nas Institutas, leia-se: pietatem voco coniunctam cum amore Dei reverentiam, quam beneficiorum eius notitia conciliat “chamo de piedade a reverência associada com o amor a Deus, a que nos induz o conhecimento de seus benefícios” (1.2.1) > leia-se em latim: https://calvin.reformation.nl/

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