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O conhecimento de Deus

A suma do conhecimento salvífico tem dois lados: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos, pois contemplando as grandezas de Deus vemos a nossa total pequenez, ao contemplarmos a santidade de nosso Senhor, vemos o quão pecadores nos ternamos e, na medida em que sua bondade se manifesta, mais ainda somos constrangidos de nossa apatia e insolência.  

Deus é o máximo que podemos pensar e, por isso, o Ser supremo da qual participamos, como diz o apóstolo Paulo “porque nele movemos, vivemos e existimos” (At 17:28) e o salmista diz “tu és magnificentíssimo, estás vestido de glória e de majestade” (Sl 104:1), por esta razão, devemos aprender a contemplar a face do Deus Todo-Poderoso para que, na medida em que dele apreendermos os seus atributos, sejamos conduzidos em humildade ao trono da glória, pois em nada o conhecimento divino nos será útil se nos separarmos da piedade, este é o retrato dos falsos profetas de nosso tempo, daqueles que “aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2Tm 3.6), pois o mistério contido no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, embora sistematizada pela linguagem e artifícios humanos, quando desprovido da caridade que “é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo” (Rm 5.5), nos torna semelhantes aos judeus que creram nela “mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagogas” (Jo 12.42) e, alguém pode justificar que a culpa de tal repressão interna seja dos fariseus, mas as Escrituras prosseguem falando desses crentes não professos dizendo que tal negação a Cristo aconteceu “porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (Jo 12.43). 

Devemos considerar, antes de tudo, que Deus é aquele que perfeitamente se conhece; por isso, a sua teologia é perfeitíssima, puríssima e sem sombra de erro. Sendo Ele o Criador de todas as coisas, tudo quanto existe se ordena necessariamente à sua vontade, “porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas” (Rm 11.36), e “o Senhor fez todas as coisas para o seu determinado fim, até o ímpio para o dia do mal” (Pv 16.4). Assim, todas as coisas têm nele o seu fim; convergem para Ele e, para Ele, se orientam (Ef 1.10). 

Os escolásticos chamam essa ciência divina de teologia arquetípica, cuja essência é ser própria e exclusiva de Deus: intuitiva, imediata, simples e perfeitamente apreensiva de sua essência infinita. Quanto a nós, porém, peregrinos neste vale, resta-nos contentar-nos com aquilo que Ele soberanamente nos deu de si mesmo; pois “as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre” (Dt 29.29). Diferentemente do método da ciência moderna, guiada pelos pressupostos cartesianos e pelo modelo investigativo do objeto empírico, Deus não se submete a nenhuma forma de “objeto” analisável. Ele é Senhor. E as Escrituras testemunham que, quando os homens se afastam de sua vontade preceptiva, Ele mesmo se oculta: “a minha ira se acenderá contra ele, desampará-lo-ei e dele esconderei o rosto, para que seja devorado” (Dt 31.17); e mais adiante, o profeta Moisés declara: “esconderei deles o rosto, verei qual será o seu fim” (Dt 32.20). 



Por isso somos exortados à piedade, pois “o segredo do Senhor é com aqueles que o temem” (Sl 25.14), e “o perverso é abominável ao Senhor, mas com os sinceros Ele tem intimidade” (Pv 3.32). Deus mesmo envia o espírito de mentira para enganar os falsos profetas, dizendo-lhe: “tu o enganarás e ainda prevalecerás” (2Rs 22.22). E assim fará no fim dos tempos, quando, segundo o apóstolo, “Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira” (2Ts 2.11). O salmista também adverte: “meu povo não quis ouvir a minha voz... portanto eu os entreguei aos desejos de seus corações” (Sl 81.11-12). E lemos no Evangelho que, conforme a profecia de Isaías, “cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam... e se convertam” (Jo 12.40). Ora, o testemunho das Escrituras é claro: se desejamos conhecer a Deus, devemos antes invocá-lo e entregar-nos inteiramente a Ele. Quando Abraão simplesmente obedeceu ao mandamento do Senhor — “sai da tua terra... para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1) —, mais adiante vemos o próprio Deus honrando essa obediência ao dizer: “ocultarei a Abraão o que estou para fazer, visto que certamente virá a ser uma grande e poderosa nação?” (Gn 18.17-18). E ainda está escrito: “certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). 

Os homens comuns, pela labuta e pelo cuidado de suas casas, são chamados a olhar para o mundo a fim de prover; os magistrados, para o povo, a fim de governar com justiça; os intelectuais, para o campo das ideias e suas proposições. Mas o teólogo, unido a Cristo e instruído pelo Espírito, ergue os olhos ao Pai e, nele, busca a razão última de todas as coisas. Não é sem propósito que Salomão, após desfrutar tudo quanto a vida pode oferecer, conclui: “teme a Deus e guarda os seus mandamentos, porque isto é o dever de todo homem” (Ec 12.13). E, como o mesmo autor ensina, “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 1.7). Resta, pois, reconhecer: Deus quer ser conhecido e se dá a conhecer ao seu povo. 

Somos entre os animais, os únicos inclinado a um conhecimento mais amplo e reflexivo das coisas. Como diz o filósofo grego Aristóteles “todos os homens por natureza propendem ao saber1”, e Tomás de Aquino ao comentar o filósofo afirma que “embora todos os homens desejem o conhecimento, nem todos, contudo, dedicam-se ao estudo da ciência, porque são impedidos por outras coisas, seja pelos prazeres, seja pelas necessidades da vida presente, seja ainda pela preguiça, pela qual evitam o esforço de aprender. Aristóteles apresenta isso para mostrar que buscar um conhecimento que não é útil por outra razão, como é o caso desta ciência, não é algo vão, uma vez que um desejo natural não pode ser vão2. Ora, estamos diante de dois filósofos que apontam para a dificuldade que muitos homens encontram no estudo das ciências que ainda pertencem ao campo da razão humana, pois a Metafísica não é senão o estudo do ente enquanto ente3, a realidade última das coisas, todavia, ainda que muitos não possam ser sábio a este modo em razão dos motivos que Aquino enumerou em seu comentário, compreendo que este desejo não atualizado dos homens de conhecer as coisas mais profundas reside na finalidade eterna que Deus o designou desde a fundação do mundo, pois as Escrituras dizem que “desde a eternidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti” (Is 64.4), e o salmista clama “quão grande é a tua bondade, que guardaste para os que te temem, a qual operaste para aqueles que em ti confiam na presença dos filhos dos homens” (Sl 31.19) e o profeta Jeremias diz “bom é o Senhor para os que esperam por Ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lm 3.25). Ora, se todas as coisas tendem a Deus, e os homens buscam conhecer e Deus é aquilo que de melhor se deve buscar, não existe finalidade outra no conhecer humano senão ao de saber quem é o Senhor Deus, a ele glorificar e nele termos pleno gozo. 

Se consideramos que esta é a causa suprema pela qual devemos conhecer a Deus, não devemos parar nossas mentes nesta resposta, pois se temos como fim a glória de Deus e a bem-aventurança nele, todas as potências de nossa alma devem se ordenar a vontade divina e não devemos pôr em nada no mundo a razão última de nossa existência, pois o apóstolo Paulo mesmo nos ensina “não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2), e não associemos esse texto à pobreza interpretativa dos pregadores modernos que se utilizam de um texto tão sagrado para fins moralistas tão estúpidos tais como a pregação legalista desassociada da verdadeira lei divina, pois antes mesmo de falar da inconformidade com o qual devemos viver no presente século, o apóstolo nos diz que nos apresentemos os nossos corpos em sacrifício vivo e, tão certo como vive o Senhor, tal ordem se aproxima daquele que Cristo diz que amemos a Deus “de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12.30). 


Ao tratar da finalidade da teologia — isto é, do discurso acerca de Deus, a ciência sagrada que tem por objeto o próprio Deus — Polanus afirma que sua finalidade é dupla: o sumo bem e a bem-aventurança. Embora muitos considerem ambas as expressões como sinônimas, convém notar a distinção que o teólogo cuidadosamente estabelece. O sumo bem das criaturas racionais, e, portanto, também do homem, é somente o próprio Deus, enquanto primeiro princípio e fim último de todo bem. Já a bem-aventurança das criaturas racionais consiste no gozo desse Sumo Bem, isto é, no gozo de Deus mesmo4. Perceba como esta distinção concorda perfeitamente com nossa consideração prévia: o homem é ordenado a Deus, que é o Sumo Bem, para que, conhecendo-o, seja bem-aventurado. Assim, o fim da teologia remete tanto ao próprio Deus como Bem supremo, quanto ao desfrute dele por parte de suas criaturas racionais. 

Que o Senhor é o nosso Sumo Bem, aquele bem que nenhum maior podemos esperar, se prova pelas Sagradas Escrituras, pois quando Deus foi até Abraão em momento de dura aflição por não ter um herdeiro, antecipa-se no seu cuidado dizendo “não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande” (Gn 15.1) e uma vez que o medo e o desespero assolam os homens que preveem o mal que lhes sobrevirá, o salmista se consola em dizer “o Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida, de quem me recearei?” (Sl 27.1), e em outro lugar lemos “Senhor, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça” (Sl 3.3), não devemos ter outro bem senão aquele que é “o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio, o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu refúgio” (Sl 18.2). A nossa peregrinação nesta terra não é vã, tampouco a nossa busca em conhecê-lo, pois “O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice” (Sl 16.5) e o profeta Jeremias, em suas lamentações exulta dizendo “a minha porção é o Senhor” (Lm 3.24). Pelos textos das Escrituras somos exortados a enxergar como o bem supremo aquilo que, por si mesmo, garante a nossa felicidade eterna, nossa glória, louvor e proteção e nisto, o nosso Deus mesmo garante aos que nele põe sua confiança.


Por isto Ele nos proíbe a autopromoção, a glorificação de nossas obras, pois é preferível que “um outro te louve, e não a tua própria boca” (Pv 27.2) e o apóstolo Paulo em resposta a seus mais contundentes adversários diz “não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos” e prossegue dizendo “estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento” (2Co 10.12). Se há obras pelas quais podemos nos gloriar, essas são as que Cristo praticou e executa em nós, pois “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10) e ao dizer aos crentes de Filipos “operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12), para nos afastar de qualquer sombra de mérito humano antecipa “porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua vondade” (Fp 2.13), pelo que devemos nos lembrar de contemplar a glória de Deus e “aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva” (2Co 10.17-18), por esta razão conhecer a Deus é útil para que diante toda obra que nos dispusermos a fazer, olhemos para cima e a Ele agradecemos sua graça e misericórdia. Quão fétido é o homem que se gloria em suas próprias obras, quando o único bom perfume que delas exala não provém dele, mas é a fragrância da graça de Cristo! Pois, separado do Salvador, tudo o que chamamos virtude não passa de trapos imundos; mas unido a Ele, até o menor ato obediente é perfumado pelo odor suave do Seu sacrifício. Assim, engrandecer-se das próprias obras é como reclamar para si a doçura de um incenso que não produzimos, e cuja fragrância pertence somente ao Cordeiro. 

Ora, mas se conhecer a Deus me leva à humildade, o meu próprio ato de saber não deve ser motivo de orgulho, pois as Sagradas Escrituras advertem “não se glorie o sábio na sua sabedoria” (Jr 9.23) e paradoxalmente, acrescenta dizendo “mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor” (Jr 9.24) e alguém poderia levantar a seguinte questão: ora, se o homem não deve se gloriar em sua sabedoria, mas em conhecer a Deus, o conhecimento de Deus não é sabedoria? A isto respondo que há dois modos de saber: um homem pode estudar profundamente a história de um grande herói nacional e, com grande diligência, escrever livros em sua honra, como se dominasse tudo a seu respeito. Mas se um amigo íntimo desse mesmo herói lê o livro e encontra nele erros e distorções, é evidente que o peso e a autoridade do conhecimento daquele que o conhece relacionalmente, por convivência e amizade, supera infinitamente o conhecimento adquirido apenas por pesquisa e labor investigativo.  


De igual modo, quando lemos as Sagradas Escrituras, notamos como o conhecimento de está intimamente ligado ao relacionamento pactual de Deus com o seu povo. A expressão hebraica "o conhecimento de Deus" traz assim pelo menos três conotações: (1) o sentido intelectual, (2) o sentido emocional e (3) o sentido volitivo. O verbo "conhecer" refere-se basicamente ao que chamamos atividade intelectual, cognitiva; mas a psicologia hebraica não conhecia uma faculdade específica que compreendesse o intelecto ou a razão5; peguemos o exemplo dos filhos de Eli que, segundo as Escrituras, “não se importavam com o Senhor” (1Sm 2.12), a expressão “se importavam” é o verbo hebraico יָדְע֖וּ de יָדַע que significa “conhecer”. Essa expressão aparece muitas vezes na Escritura muito mais que mero conhecimento intelectual, usado também como eufemismo para relação sexual (Gn 4.1,17; 19.5 [a ARA traz a ideia de abuso sexual neste texto]; 1Rs 1.4). Isaías descreve que dado o castigo de Deus sobre o Egito seguido de sua redenção e lemos “E o Senhor se dará a conhecer ao Egipto e os egípcios conhecerão ao Senhor naquele dia, e o adorarão com sacrifícios e ofertas, e farão votos ao Senhor, e os cumprirão” (Is 19:21). Note que o conhecimento segue-se a uma reação positiva dos egípcios para com Deus, indicando culto sincero e relacional “adorarão... farão votos... cumprirão”. O salmista diz “Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto, para que se conheça na terra o teu caminho, e, em todas as nações, a tua salvação” (Sl 67:1-2), novamente vemos o conhecimento atrelado, à salvação, redenção e, portanto, um relacionamento genuíno com Deus. Quando o povo quebrou o pacto com Deus, entregando-se a impiedade, Deus diz pela boca do profeta “O boi conhece o seu proprietário, e o jumento, o cocho posto pelo dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Ah, nação pecadora, povo carregado de maldade, descendência de malfeitores, filhos que praticam a corrupção! Deixaram o SENHOR, desprezaram o Santo de Israel, afastaram-se dele.” (Is 1:3-4). Não nos percamos, os exemplos são vários, mas podemos sumarizar a ideia de conhecimento ao conceito de relacionamento, interação e obediência, diferente do mero conhecimento investigativo que, embora seja pressuposto, não é a definição do ato de conhecer a Deus.  

A vida puramente livresca fabrica, em nós, uma santidade hipotética, uma devoção imaginária que enche a boca de histórias, mas não transforma o coração. Ela recita as missões do passado, admira os mártires, louva os reformadores, mas não nos torna missionários, nem mártires, nem reformadores. É uma piedade de papel, incapaz de gerar vida. O verdadeiro teólogo não é o que apenas fala sobre Deus, mas o que fala a partir de Deus, porque foi encontrado pelo Deus vivo. Sua teologia não é fruto de biblioteca apenas, mas de joelhos dobrados, de alma quebrantada, de fé vivida, de arrependimento renovado. O ímpio pode manejar conceitos; o santo, porém, conhece o Deus dos conceitos, por isso, não é garantia que o estudo da vida pastoral de João Calvino me fará um bom pastor, é necessário que façamos o que Salomão profetiza “eis que derramarei copiosamente para vós outros o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras” (Pv 1:23) e neste sentido eu digo que estamos nos dias do profeta Amós que claramente diria aos ministros e crentes de nosso tempo “o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento” (Os 4:6). O labor intelectual e teológico que Deus exige dos seus ministros, e pecam aqueles que não o fazem, pois como diz Tomas de Kempis, “aquele que se volta totalmente para Deus põe de lado a preguiça e se converte num novo homem6”, porém não devem ser desprovidos do fim que o Catecismo de Westminster nos resume “o fim principal do homem é a glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.  

1 comentário


Caique Sousa
Caique Sousa
12 de fev.

Muito conhecimento👏👏

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